A situação não anda boa para quem quer ter uma tv por assinatura em casa. A cobertura à cabo no Brasil é pífia se compararmos com outros países. A Argentina, por exemplo, tem um mercado de cabo com alta penetração e concorrência entre os permissionários. Aqui grande parte da rede é de propriedade da Net, ligada à Globo. Hoje, a Net reina quase que absoluta no mercado de cabo, com a compra da Vivax (em 2006) e da Big TV em dezembro passado, ela agora acumula algo em torno de 2,5 milhões de assinantes (somente modalidade TV à Cabo). A Net, sozinha, detém 48% do mercado de tv por assinatura no país.
No outro sistema, o DTH, via satélite, a Sky domina o mercado, após sua fusão com a DirecTV. Na verdade, a Sky em todo o mundo foi adquirida pela DirecTV, mas pela força da marca, no Brasil, optou-se por manter a empresa operando sob o nome de Sky. Lembramos aqui que as Organizações Globo também detém ações desta empresa. A empresa conta com, aproximadamente, 1,8 milhões de assinantes, ou seja, aproximadamente 34,5% do mercado. Numa matemática rápida as duas juntas detêm 82,5% do mercado.
As opções são poucas e limitadas. A Tecsat foi assasinada lá pelos idos de 1999, e olha que ela demorou muito para desaparecer (a empresa se encontra em concordata e com o serviço suspenso). A TVA nunca conseguiu se expandir muito além do mercado de São Paulo, e pra piorar, algumas das empresas regionais (como Vivax e Big TV) foram abocanhadas pela líder de mercado. Que tal a NossaTV, do Missionário R. R. Soares…
Após o "atentado" contra a Tecsat (leia mais) formou-se a NeoTV, que, sinceramente, despertou em mim um lampejo de esperança ante o domínio das operações das quais a Globo é sócia. Mas a iniciativa, até pela pluralidade de empresas e pelo tamanho não tão significativo, não rendeu todos frutos esperados, mesmo com a implantação da falsa livre concorrência, aonde as operadas podem contratar os canais que desejam (inclusive os da Globosat), através do acordo da mesma com com o CADE.
No ano retrasado mais uma possibilidade de mudança. A entrada da Telefonica no mercado de DTH através da sua laranja empresa parceira, Astralsat. Por algum motivo, que eu desconheço, ela somente opera em São Paulo. Oras, o satélite atende a quase todo o Brasil, o que custa distribuir o serviço país adentro? Nunca se sabe o que leva a empresa a não rever esta decisão de atuação restrita.
O CADE somente assiste a expansão desenfreada dos líderes de mercado. Ok, não vamos ser injustos. Ele custurou um arremedo. Mas o acordo tem data de validade, pois neste ano acaba a obrigatoriedade da venda do pacote Globosat às operadoras "independentes". Em 2011 todas as restrições do CADE serão cessadas. E quando este dia chegar? Como ficarão as empresas (e os usuários) concorrentes do duopólio?
Fontes: Wikipedia PT (Sky, Net, Vivax, Tecsat), Folha & Info Online
